Um texto sobre felicidade, baseado no filme "O fabuloso destino de Amélie Poulain"

05 setembro 2014

           

 "A felicidade se encontra nas coisas mais simples da Terra", já dizia o cantor Antônio Armando, popularmente conhecido como Armandinho, em sua canção denominada "Casinha". E esta frase serve muito bem para demonstrar a personalidade de uma menina que encontrava a felicidade ao colocar as mãos dentro de um saco com grãos de feijão, grudar os lábios e nariz ao vidro ou então colocar amoras nos dedos e come-las uma à uma. Coisas simples que nos encantam e que, nos dias de hoje, não parecem ter a importância que têm.
            Amélie, filha de um pai com "lábios contraídos, sinal de falta de afeto" e de uma mãe com espasmos nervosos, fantasiava um mundo onde os discos de vinil são fabricados como os crepes, e a mulher do vizinho, em coma, escolheu dormir pro resto da vida, para depois poder passar noite e dia acordada. Seu único amigo era um peixe  com nome de Caixalote, até que um dia  a mãe da menina resolveu coloca-lo no riacho. Para consolar a filha, deram-na uma câmera fotográfica, desde o dia que ganhou Amélie passava o dia inteiro tirando fotos. A menina, com a morte da mãe, tornou-se cada vez mais solitária e séria. Quando fica mais velha, Amélie, busca a sua felicidade na felicidade dos outros. Ver os outros mais felizes, deixa-a com sensação de "dever cumprido".
            A felicidade está cada vez mais relativa, há quem a encontre no bar, nas coisas, nas pessoas, há também quem encontra a felicidade em si. Enfim, é de pessoa para pessoa. A única certeza é que a felicidade não é plena, não é cem por cento. "Também gosto de procurar detalhes onde ninguém vê", essa é a felicidade de Amélie: os detalhes. E, de certa forma, é o nosso também. Querendo ou não. Às vezes não nos damos por conta, mas aquele pequeno acontecimento nos deixou feliz, talvez no momento do acontecido tenha passado despercebido, mas depois bate a saudade, e essa, só temos do que foi bom, do que nos deixou feliz. Um abraço de alguém especial, por exemplo, poucos segundos, às vezes, mas te deixa feliz por um tempo e, novamente, quando te lembra do momento. Ou então aquelas risadas que na verdade nem motivo tem, mas riu simplesmente porque deu vontade. Isso é felicidade. Instantânea? Sim, porém isso é felicidade. Ninguém é plenamente feliz. Há uma música que retrata muito bem isso, a banda Vera Loca coloca muito bem a realidade na canção "Ninguém nunca viu":
“Ninguém nunca viu felicidade por inteiro [...], ninguém nunca viu a tristeza de um palhaço, ninguém nunca viu uma estrela sem espaço [...], quem viu me empresta os olhos, quero mudar meu mundo, fugir por um segundo da realidade.”

A tão procurada felicidade vicia, sempre buscamos ela e não percebemos que já possuímos, buscamos na riqueza, no ter e não vemos que ela está no "ser". Ser você mesmo. Ser o que você quer ser. E sendo o que se é, que se encontra a felicidade em qualquer lugar. Na simples pétala da rosa, nos grãos de feijão, nos pés descalços em contato com a terra. Encontra-se a felicidades nos amigos, que finalmente encontramos ao nos encontrarmos. Encontramos a felicidade do amor, da leveza, da paz. Enfim, encontramos. Mas antes de encontrar, erramos. Erramos no acreditar que nós não dependemos de nada para ser feliz, pois precisamos, muito, das outras pessoas ou coisas. Sozinhos somos metade, infelizes. Erramos porque errar é humano, e no fim, se aprende e se torna felicidade. Mas erramos, principalmente, ao não ver a felicidade dos pequenos gestos, olhares, sorrisos, toques, ao deixarmos passar as coisas sem perceber e notar que éramos felizes depois que passou. Isso é o nosso erro, mas, por sorte, ainda há tempo de recomeçar, reamar, realegrar, ser feliz e, claro, ser feliz de novo.
O único conselho que é completamente útil é "seja feliz". Sempre há tempo de encontrarmos o que é nossa felicidade, de achar aquele pé de coelho que nos dará sorte, de consertar o que erramos. Sempre há tempo. Gaste ele sendo feliz. Feliz no trabalho, no tropeçar em uma pedrinha, na gota d'água que caí no seu rosto quando chove. O importante é encontrar o caminho certo, o "pote de ouro no fim do arco-íris". Opte pelo que faz seu coração vibrar, a felicidade estará lá. Seu coração não mente.
           
- Amanda Ferreira 




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